{"id":354,"date":"2011-10-03T13:17:00","date_gmt":"2011-10-03T13:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/184.172.104.4\/~marcapro\/blog\/?p=354"},"modified":"2014-05-29T03:19:02","modified_gmt":"2014-05-29T03:19:02","slug":"critica-o-rei-cego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.marcaproducoes.com.br\/blog\/?p=354","title":{"rendered":"CR\u00cdTICA &#8211; O REI CEGO"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 21px;\"><i><span style=\"background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<b>\u00c9 com muito carinho que reproduzimos o coment\u00e1rio cr\u00edtico do professor e diretor Diego Ferreira. Graduado em Teatro pela UERGS,<span style=\"line-height: 19px;\">&nbsp;Diego dirige o grupo V\u00e1lvula de Escape e mant\u00e9m um dos mais importantes blogs sobre teatro do estado. Veja outras cr\u00edticas em escapeteatro.blogspot.com&nbsp;<\/span><\/b><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"background-color: black; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 21px;\"><i><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><span style=\"line-height: 19px;\"><span style=\"color: orange;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/span><\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: 15px; line-height: 19px;\">O Rei Cego &#8211; Coment\u00e1rio cr\u00edtico<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: 15px; line-height: 19px;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;por Diego Ferreira<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: 15px; line-height: 19px;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"background-color: black; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 21px;\"><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><span style=\"line-height: 19px;\"><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/184.172.104.4\/~marcapro\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/IMG_4434.jpg\" style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"150\" src=\"http:\/\/184.172.104.4\/~marcapro\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/IMG_4434.jpg\" width=\"200\" \/><\/a><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Hoje a tarde, enfim fui conhecer o trabalho dos meus amigos do Teatro do Cl\u00e3. O trabalho em quest\u00e3o \u00e9 &#8220;O Rei Cego&#8221;, este \u00e9 o 1\u00ba trabalho do grupo que surpreende muito pela qualidade da produ\u00e7\u00e3o. Discorrer sobre o acontecimento c\u00eanico \u00e9 algo muito dif\u00edcil, tratando-se da efemeridade do fato teatral, do instante que perpetua cada ato, gesto ou apresenta\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 muito dif\u00edcil tecer coment\u00e1rios sobre o fazer teatral, ainda mais quando n\u00e3o somos cr\u00edticos &#8220;de verdade&#8221;, ainda mais quando falamos do trabalho de colegas e amigos. Mas fica bem mais f\u00e1cil quando o trabalho \u00e9 bom e sei o que falar aqui ser\u00e1 filtrado e talvez aproveitado pelos colegas. \u00c9 o que acontece com o Cl\u00e3. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&#8220;O Rei Cego&#8221; \u00e9 um espet\u00e1culo indicado a todas as idades e apropriado para ser apresentado em diversos locais, rua, palco, pra\u00e7a, galp\u00e3o, enfim, onde o p\u00fablico estiver. A plat\u00e9ia de hoje era formada por crian\u00e7as de escolas p\u00fablicas da cidade e alguns transeuntes, o que d\u00e1 credibilidade a produ\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;O primeiro fato a ser destacado \u00e9 que este espet\u00e1culo foi contemplado com o FUMDESC, um fundo de apoio a cultura de Montenegro, e o que vemos \u00e9 que os recursos foram muito bem empregados. O espet\u00e1culo \u00e9 rico esteticamente, nos figurinos, cen\u00e1rios, adere\u00e7os e maquiagem. A concep\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o destes elementos foram precisas e criativas, todas a servi\u00e7o da cena. Os figurinos s\u00e3o um destaque, pela beleza, simplicidade e utiliza\u00e7\u00e3o, ponto para a escolha do tom das cores, que perpassa todos os elementos da cena. O cen\u00e1rio \u00e9 pr\u00e1tico, belo e funcional, destacando a disposi\u00e7\u00e3o das escadas e cubos que se transformam em outros espa\u00e7os de acordo com o solicitado na cena. Os adere\u00e7os transp\u00f5em o espectador a outros espa\u00e7os como a utiliza\u00e7\u00e3o das malas que se transformam em cavalos (bela sacada!), ou as saias azul que s\u00e3o as ondas (bela sacada!), demostrando a criatividade e inventividade que o teatro de rua pede para chamar a aten\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia. E n\u00e3o podemos deixar de destacar o trabalho da assistente de produ\u00e7\u00e3o Jenifer Berlitz que estava realmente assessorando o grupo.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Vamos a hist\u00f3ria: &#8220;O Rei Cego&#8221; \u00e9 a hist\u00f3ria de um jovem pr\u00edncipe que enfrenta in\u00fameros perigos para trazer a vis\u00e3o de seu pai de volta. Logo no in\u00edcio somos apresentado a trupe de atores que contar\u00e3o esta narrativa atrav\u00e9s de atores\/contadores de hist\u00f3rias. Este recurso do ator\/narrador \u00e9 muito bem utilizado na cena, onde acontece um revezamento entre os atores que ora contam, ora personificam os personagens da pe\u00e7a, criando assim um ritmo que n\u00e3o deixa a narrativa cair num marasmo, pelo contr\u00e1rio, o espet\u00e1culo \u00e9 repleto de acrobacias, rupturas e surpresas que provocam o olhar do espectador a ficar atento ao que est\u00e1 acontecendo no centro da arena, ou no centro do semi-c\u00edrculo, espa\u00e7o que o grupo escolheu como palco para contar a sua hist\u00f3ria. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Quanto a espacialidade, penso que o teatro de rua tem uma especificidade que somente a rua oferece: um espa\u00e7o urbano que n\u00e3o \u00e9 o projetado para a manifesta\u00e7\u00e3o teatral, mas que \u00e9 tomado e transformado em palco para alguns momentos de magia e ilus\u00e3o. O Cl\u00e3 escolheu muito bem o seu palco na Esta\u00e7\u00e3o da Cultura, embaixo das \u00e1rvores e montou a sua semi-arena, bem equipada, delimitada e com seus lindos cen\u00e1rios, por\u00e9m, penso que poderia explorar um pouco melhor a espacialidade contemplando um pouco mais os espectadores que n\u00e3o est\u00e3o dispostos frontalmente. Explorar a lateralidade do espa\u00e7o, abrindo um pouco mais a cena, jogando com os espectadores que n\u00e3o est\u00e3o no centro da roda, descentralizando a a\u00e7\u00e3o que aqui n\u00e3o est\u00e1 no palco italiano, mas sim na rua, onde tem espectadores por todos os lados. Isso acontece no desenrolar do espet\u00e1culo, mas timidamente, podendo potencializar a rela\u00e7\u00e3o com o espectador, criando assim, uma maior cumplicidade com o p\u00fablico, pois entre o elenco a cumplicidade j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o latente, sugiro que esta cumplicidade seja compartilhada com a gente, mas quando digo dividir a cumplicidade com o p\u00fablico, n\u00e3o me refiro a piadas ou a\u00e7\u00f5es c\u00f4micas (que n\u00e3o \u00e9 o caso deste espet\u00e1culo), mas sim atrav\u00e9s de um simples olhar de cumplicidade.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;O elenco da montagem \u00e9 coeso e c\u00famplice e funciona muito bem. Coeso porque \u00e9 funcional: canta, dan\u00e7a, representa, narra, anda sobre perna-de-pau, faz acrobacia e contorcionismo e muito mais em cena. Tuti Kerber, Marcos Cardoso, Jo\u00e3o Pedro Decarli e J\u00falio Schuster dominam a cena com maestria e d\u00e3o vida a nove personagens. A efici\u00eancia do elenco se d\u00e1 pelo fato de que os atores conseguem transitar entre o representar e o narrar sem resvalar em interpreta\u00e7\u00f5es grandiloquentes, optando pela simplicidade que funciona muito bem ao espet\u00e1culo. O elenco \u00e9 parelho, mas Jo\u00e3o Pedro Decarli se sobressai um pouco dos demais e \u00e9 destaque pela disponibilidade corporal, ideal para o teatro de rua, mas n\u00e3o somente por isso, e sim pela verdade e facilidade que transita entre seus personagens com gra\u00e7a e compet\u00eancia, \u00e9 muito bom v\u00ea-lo em cena. Cardoso e Kerber tem estofo e experi\u00eancia com a linguagem da rua, demostrando seguran\u00e7a e belas composi\u00e7\u00f5es e J\u00falio \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o como ator, com potencial e com um belo caminho a ser trilhado, que est\u00e1 muito bem em cena, devendo cuidar somente a respira\u00e7\u00e3o que demostra o cansa\u00e7o e a triangula\u00e7\u00e3o com o espectador. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Por fim, destaco o trabalho de dire\u00e7\u00e3o de Cassiano Azeredo que ao&nbsp; eu ver \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o. Consegue transformar um conto popular em um espet\u00e1culo redondo, simples mas ousado, colocando o Teatro do Cl\u00e3, j\u00e1 em seu primeiro trabalho, num dos grupos mais promissores do estado. Digo isso baseado no que vi, mas tamb\u00e9m porque conhe\u00e7o todo o empenho e dedica\u00e7\u00e3o deste jovem grupo que est\u00e1 em permanente transforma\u00e7\u00e3o. O que fica \u00e9 a profissionaliza\u00e7\u00e3o deste grupo que merece a nossa aten\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;C\u00e1ssio consegue amarrar os elementos est\u00e9ticos e nos presentear com um espet\u00e1culo bonito e muito bem acabado. O que assistimos \u00e9 um trabalho que foi pensado em todos os detalhes, da concep\u00e7\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o, vemos a m\u00e3o do diretor, das id\u00e9ias como o &#8220;gigante&#8221; que se transforma ao nosso olhar, ao ator que some dentro de uma caixa, a chuva de prata que \u00e9 linda e surpreendente, s\u00e3o atrativos que prendem a aten\u00e7\u00e3o do espectador e evidencia um diretor em grande desenvolvimento. Para encerrar esta minha odisseia sobre &#8220;O Rei Cego&#8221; destaco dois pontos que podem ser ajustados ao longo da temporada: 1\u00ba A transposi\u00e7\u00e3o do conto para o teatro de rua, tem algo ali no texto, na dramaturgia, que n\u00e3o consegui captar e isso faz com que eu n\u00e3o embarque totalmente na hist\u00f3ria, no drama, diferente da encena\u00e7\u00e3o que com seus ricos recursos faz com que embarcamos por inteiro, de imediato, mas \u00e9 a hist\u00f3ria mesmo, me perdi no enredo, talvez pela troca r\u00e1pida de pap\u00e9is, fiquei meio perdido, as vezes sem saber quem \u00e9 quem e o que est\u00e1 fazendo? No final consigo esclarecer um pouco, mas durante a pe\u00e7a algumas quest\u00f5es ficaram pendentes, talvez porque o meu olhar ficou encantado com o visual que me desatentei ao enredo e precisarei assistir novamente para captar esta outra camada da encena\u00e7\u00e3o. E 2\u00ba \u00e9 a musicalidade&nbsp; da pe\u00e7a, que ao meu ver est\u00e1 ainda em desenvolvimento, conforme o C\u00e1ssio me confidencia. Penso que a rua necessita de pot\u00eancia musical, e temos tudo ali, instrumentos musicais, atores treinados e dispon\u00edveis e um diretor atento a tudo, mas vejo que falta desabrochar esta musicalidade que j\u00e1 est\u00e1 presente ali, s\u00f3 falta deixar acontecer de forma menos formal e mais visceral. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Contudo volto a afirmar que &#8220;O Rei Cego&#8221; \u00e9 um trabalho digno de aplausos, um dos destaques da cena ga\u00facha, que ainda vai dar muito o que falar, pela profissionaliza\u00e7\u00e3o, criatividade e entrega do coletivo. Escrevam o que estou dizendo, este trabalho vai estar nas principais mostras de teatro do Pa\u00eds.&nbsp;<i style=\"color: orange;\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/i><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;\u00c9 com muito carinho que reproduzimos o coment\u00e1rio cr\u00edtico do professor e diretor Diego Ferreira. Graduado em Teatro pela UERGS,&nbsp;Diego dirige o grupo V\u00e1lvula de Escape e mant\u00e9m um dos mais importantes blogs sobre teatro do estado. 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